sexta-feira, 8 de agosto de 2008

ARQUITETURA

Nossa segunda postagem irá abordar a arte e arquitetura do Brasil no século XIX. A chegada da Corte Portuguesa ao Brasil em 1808, indubitavelmente foi a grande mentora do espírito neoclassicista em nosso país. Nas últimas décadas do século XVIII e nas três primeiras décadas do século XIX, esse movimento expressou os valores próprios de uma nova e fortalecida burguesia, que assumiu a direção da sociedade européia após a Revolução Francesa e principalmente com o império de Napoleão, que espalhou a tendência pelo Velho Continente. No Brasil, o objetivo de D. João VI era estabelecer uma Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios.É possível afirmar que a influência neoclássica se deu no Brasil em dois níveis diferentes. Nos centros maiores do litoral, especialmente Rio de Janeiro, Belém e Recife que tinham contato direto com a Europa, desenvolveram um nível mais complexo de arte e arquitetura e se integrou nos moldes internacionais da sua época; e nas províncias.
De acordo com a tendência neoclássica, uma obra de arte só seria perfeitamente bela quando não imitasse as formas da natureza, mas as que os artistas clássicos gregos e renascentistas italianos já haviam criado. E esse trabalho de imitação só seria possível através de um cuidadoso aprendizado das técnicas e convenções da ARTE CLÁSSICA. Por isso, o convencionalismo e o tecnicismo reinaram nas academias de belas-artes, até serem questionados pela arte moderna.
Em 1816, desembarca no Brasil a Missão Artística Francesa, contratada para fundar e dirigir no Rio de Janeiro uma Escola de Artes e Ofícios. Nela está, entre outros, o pintor Jean-Baptiste Debret, que retrata com charme e humor costumes e personagens da época. Em 1826 é fundada a Academia Imperial de Belas-Artes, futura Academia Nacional, a qual muito utiliza da tendência neoclássica europeéia e atrai outros pintores estrangeiros de porte, como Auguste Marie Taunay e Johann Moritz Rugendas. Pintores brasileiros desse período são Manuel de Araújo Porto-alegre e Rafael Mendes Carvalho, entre outros.
No Brasil o neoclassicismo torna-se evidente na arquitetura. Seu expoente é Grandjean de Montigny (1776-1850), que chega com a Missão Francesa. Suas obras, como a sede da reitoria da Pontifícia Universidade Católica no Rio de Janeiro, adaptam a estética neoclássica ao clima tropical. Na pintura, a influência neoclássica se direciona ao romantismo. A composição e o desenho seguem os padrões de sobriedade e equilíbrio, mas o colorido reflete a dramaticidade romântica. Na literatura, a principal expressão é o arcadismo, caracterizado por um estilo mais simples e objetivo e pela temática voltada para a natureza. Os seus principais poetas encontram-se em Vila Rica, centro cultural do Brasil na época.

Referências Bibliográficas

UFSC-Arquitetura
PUC-Arquitetura no Brasil
Wikipédia-Arquitetura do Neoclassicismo
Wikipédia-Neoclassicismo


TEXTO ESCRITO PELA ALUNA GEORGIA



ARQUITETURA

“As ruas tinham um traçado singular, eram estreitas e se cruzavam em ângulo reto. Eram chamadas de Ruas e Travessas”. ROBERT WALSH





Acredite, em várias cidades brasileiras ainda há vestígios de uma arquitetura bela, rica e até mesmo soberba, trazida por D. João e a Corte. Até 1808, a cidade tinha ares pacatos e um cotidiano sem luxos. Não era possível encontrar a vaidade arquitetônica nas fachadas coloniais. Analisemos as mudanças ocorridas no Rio de Janeiro.
Antes da chegada da corte portuguesa, as regiões de Botafogo e Flamengo eram consideradas áreas rurais. Tinham apenas algumas chácaras isoladas. A colônia só mantinha comércio com Portugal, então navios estrangeiros não podiam entrar na Baía da Guanabara, o que criava um certo vazio no porto. A monotonia da arquitetura colonial, marcada por construções simples de pedra bruta e argamassa começava a mudar. No entanto, ainda predominavam casas baixas e sem vidros nas janelas – geralmente fechadas com gelosias, uma espécie de tela de madeira comum no período. O Palácio dos vice-reis – Paço Imperial -exibia um andar a menos na parte central e era um dos prédios mais belos da cidade. Tinha três pavimentos na lateral com vista para a praça e outros dois na lateral oposta.
O Campo de Santana dividia a área urbana e a rural. A única construção da época pré-joanina era a igreja que deu nome ao lugar. Os mangues nos arredores funcionavam como aterros, onde se jogavam barricas com dejetos. Já a Quinta da Boa
Vista, foi onde o comerciante Elias Lopes construiu a mansão que, em 1808, seria presenteada a dom João. Era uma das mansões mais chiques da cidade, entretanto ficava localizada numa região isolada, cercada de mangues. A região do Morro do Castelo, abandonada, onde a cidade nasceu, servia de abrigo para a marginalidade, que vivia em condições consideradas precárias até mesmo para a época.
Após a chegada em 1808 e com a permanência da corte na Capital do Brasil, Rio de Janeiro, surgiram novas ruas ou as antigas foram alargadas; pântanos e charcos, foram drenados; e o Rio se expandiu e povoou-se para além das imediações do alagadiço centro para chegar a Botafogo, São Cristóvão, Laranjeiras, Glória, Catete, Estácio, Quinta da Boa Vista, Tijuca e Engenho de Dentro.
Dom João mudou completamente os conceitos arquitetônicos brasileiros da época. No Rio de Janeiro, além de trazer novas concepções, foi responsável por urbanizar a cidade A sua vinda para o Brasil também ficou marcada pela grande intervenção urbanística. Ele manda pintar as casas e construir prédios, como o Teatro São João. Botafogo e Flamengo tornaram-se bairros emergentes. Na época de dom João, muita gente ligada à nobreza passou a ocupa chácaras nos arredores. A própria princesa Carlota Joaquina chegou a ter uma residência em Botafogo –Botafogo que era verdadeiro areal praticamente inabitado, se tornara rota de passagem para prática de cavalgadas ou local bucólico, perfeito para admiração da natureza. Os portos foram abertos, e os estrangeiros chegaram em peso. Até 1807, o Brasil era a última porção de terra do planeta proibida aos estrangeiros. Ninguém entrava aqui. O resto do mundo já tinha sido mapeado e era razoavelmente conhecido. Havia muita lenda em torno do Brasil. De tribos canibais, de povos exóticos, uma natureza diferente, tesouros. Navios com bandeiras de vários países passaram a freqüentar a Baía da Guanabara desmistificando a terra misteriosa. A seção central do Paço Imperial ganhou um terceiro piso. A fachada voltada para o Convento do Carmo anexou, para a coroação de Dom João VI, a varanda monumental, retirada mais tarde Durante o Segundo Reinado.
A substituição das casas térreas foi acelerada. Entre 1808 e 1818, mais de 600 sobrados chiques foram construídos, a maioria com grandes fachadas neoclássicas. No Campo de Santana a transformação foi completa. A região passou a abrigar o Museu Real, um parque com jardim e um quartel do Exército. Em pouco tempo, apareceram várias construções importantes, incluindo a prefeitura. Tudo que a nobreza fazia, os cariocas ricos imitavam. Visto isso, é natural que os arredores da Quinta da Boa Vista se tornassem disputados. A residência oficial de Dom João passou por reformas, mas só ganhou nova fachada, em estilo gótico, nas bodas de dom Pedro I, em 1816. Muitos moradores despejados para acomodar a corte acabaram indo parar no alto do morro. A região tornou-se uma espécie de predecessor das favelas. Em 1922, o Castelo foi destruído em nome da modernidade.

Aqui seguem trechos de registros feitos por personalidades que estiveram no Brasil nesse período.

Montamos nossos cavalos e nos dirigimos para a Lagoa das Freitas (Lagoa Rodrigo de Freitas) até o Jardim Botânico e a Fábrica de Pólvora(...) Mas, como havia lua cheia, tivemos uma linda luz para voltar a Botafogo, embora as nuvens parecessem indicar uma tempestade (...).(29 de julho, 1825) GRAHAM EDEN HAMOND. Os Diários do Almirante Graham Eden Hamond. 1825-1834/38; p.14

Jantei com Mr. Vidal e, em seguida, remamos até botafogo para visitar Mr. Grigg, um dos membros da comissão mista (...). A baía de Botafogo estava maravilhosa e muitos brasileiros passeavam à cavalo e dirigiam carros sobre suas areias que são duras e muito brancas. O sol se punha e uma deliciosa frescura substituiu o calor do dia. (Domingo, 15 de fevereiro, 1835) GRAHAM EDEN HAMOND. Os Diários do Almirante Graham Eden Hamond. 1825-1834/38; p.49

Seguindo o plano brumoso do Pão de Açúcar, descortina-se, através das nuvens da manhã, o pico recurvo do Corcovado, cuja base termina à beira-mar na praia do Flamengo, outrora deserta e cujas lindas casas, recentemente construídas, escondem, hoje, o bairro do catete. Este continua até Botafogo, enseada bastante bela. JEAN BAPTISTE DEBRET. Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil (1816-1831); p.157

Partimos logo após o nascer do sol e fomos de carro até a casa deles na baía de Boto Fogo [botafogo], talvez a mais bela vista nos arredores do Rio, cidade tão rica em belezas naturais. Seu encanto é realçado pelas inúmeras e belas casas de campo(...). Todas surgiram com a chegada da côrte de Lisboa. (21 de dezembro de 1822) MARIA GRAHAM. Diário de uma viagem ao Brasil; p.199

“O chão sobre o qual pousa hoje a bonita e regular cidade nova achava-se em 1807 alagado, (...) oferecia baixos e estreitos trilhos sobre os quais se atravessava. Muitos dos prédios tanto da rua e praia de Valongo, enseada da Gamboa, Saco dos Alferes e outros lugares a este próximos, e também as novas ruas de casas dos bairros Catete, Flamengo, Botafogo e São Cristóvão, todos já tornavam-se notáveis em 1816 por numerosas edificações.” EMILIO JOAQUIM DA SILVA MAIA. Instituto Histórico e geográfico Brasileiro. – Manuscrito. Estudos Históricos sobre Portugal e Brasil. Estudo oitavo. Progresso material no Rio de Janeiro. Estabelecimento de tribunais e criações úteis. Outros melhoramentos em várias províncias. Pelo Dr. Emilio Joaquim da Silva Maia. S.I., s.d. (33p), Lata 345, documento.

Muitos pontos interessantes aqui destacados, despertaram a nossa curiosidade: e hoje, como está a paisagem do Rio de Janeiro nas diversas regiões abordadas?

O Bairro de Botafogo atualmente continua a ser um bairro de classe média e média-alta. É praticamente uma mini-cidade dentro da grande metrópole que é o Rio de Janeiro, possuindo de tudo um pouco: cinemas, teatros, shoppings centers, boates, casas de show, museus, centros empresariais, consultórios médicos, consulados, clínicas e hospitais e, no meio disso tudo, algumas mansões preservadas do início do século XX e fim do século XIX. Da mesma forma, aqueles que foram marginalizados da sociedade no período Joanino e tiveram os morros oferecidos como moradia em precárias condições, criaram um modelo de periferia ainda hoje existente. Vemos então, que a estrutura da cidade do Rio de Janeiro hoje, nada mais é que um reflexo desenvolvido e expandido das heranças da estrutura de uma sociedade modificada há duzentos anos.









Referências Bibliográficas

Revista de História Edição Especial
Casa Rui Barbosa

Casa Cláudia


TEXTO ESCRITO PELA ALUNA GEORGIA

sexta-feira, 13 de junho de 2008

OBJETIVOS DO BRASIL RIBALTA REAL

chegado a Portugal

O tempo de padecer,

Se te oprime a cruel França

Sorte melhor hás de ter".

"Quem oprime os portugueses,

Quem os rouba sem ter dó?

É esta tropa francesa

De quem é chefe Junot".

Versos populares no Rio de Janeiro


No corrente ano de 2008, comemoramos os duzentos anos da transferência da Coroa Portuguesa para o Brasil. A importância de tal fato deve ser exaltada e relembrada a cada momento, pois vivemos cultural, social e politicamente as conseqüências da longa viagem que a Família Real de Portugal fez em 1808. Nas embarcações, D. João VI também trouxe uma nova herança cultural, novos hábitos alimentares e higiênicos, novas noções de urbanização, novas tendências arquitetônicas, renovações nas áreas científicas e transplantou novas características políticas no Brasil. Um dia, nosso país foi palco de uma magnífica peça teatral, a vinda da Família Real. Um dia, nosso Brasil foi uma Ribalta Real.

A VINDA DA CORTE PORTUGUESA PARA O BRASIL

No início do século XIX Napoleão Bonaparte era imperador da França. Ele queria conquistar toda a Europa e para tanto derrotou os exércitos de vários países. Mas não conseguiu vencer a marinha inglesa. Para enfrentar a Inglaterra, Napoleão proibiu todos os países europeus de comercializar com os ingleses. Foi o chamado Bloqueio Continental. Nessa época, Portugal era governado pelo príncipe regente Dom João. Como Portugal era um antigo aliado da Inglaterra, Dom João ficou numa situação muito difícil: se fizesse o que Napoleão queria, os ingleses invadiriam o Brasil, pois estavam muito interessados no comércio brasileiro; se não o fizesse, os franceses invadiriam Portugal.


A solução que Dom João encontrou, com a ajuda dos aliados ingleses, foi transferir a corte portuguesa para o Brasil. Em novembro de 1807, Dom João com toda a sua família e sua corte partiram para o Brasil sob a escolta da esquadra inglesa. 15 mil pessoas vieram para o Brasil em quatorze navios trazendo suas riquezas, documentos, bibliotecas, coleções de arte e tudo que puderam trazer. Quando o exército de Napoleão chegou em Lisboa, só encontrou um reino abandonado e pobre. O príncipe regente desembarcou em Salvador em 22 de janeiro de 1808. Ainda em Salvador Dom João abriu os portos do Brasil aos países amigos, permitindo que navios estrangeiros comerciassem livremente nos portos brasileiros. Essa medida foi de grande importância para a economia brasileira.


De Salvador, a comitiva partiu para o Rio de Janeiro, onde chegou em 08 de março de 1808. O Rio de Janeiro tornou-se a sede da corte Portuguesa. Várias transformações marcaram o cenário político-social da colônia entre elas o Decreto da Abertura dos Portos às Nações Amigas, crescimento populacional devido ao grande número de nobres e funcionários da corte portuguesa e a criação do Banco do Brasil contribuiu para a aceleração do desenvolvimento.
Geocities-Família Real
Revista Veja-Edição especial
MultiRio-Embarque

POSTADO PELOS ALUNOS EDGAR E MARONÊS

As condições da Viagem

Quem acredita que a família real decidiu vir ao Brasil na última hora está completamente enganado.A salvação da Corte foi o explorador Martim Afonso de Souza, que em 1532 retornou a Colônia na América e disse ao rei dom João III: “Doidice seria um rei viver na dependência de seus vizinhos, podendo ser monarca de outro maior mundo”.Dom João III elaborou então, um plano de emergência, caso Portugal fosse invadido por estrangeiros e a Corte seria transferida para a Colônia Brasileira.

Dom João VI estava muito preocupado se Napoleão invadisse, no entanto, não queria viajar (ou fugir) ao Brasil e adiou ao máximo que pode.

Na madrugada de 24 para o dia 25 de novembro, Dom João VI ordenou o embarque.Funcionários, pajens e camareiras viravam noites esvaziando palácios e empacotando pratarias e jóias, tirando quadros das paredes, recolhendo todo ouro e prata. Ao total, eram 700 carroças que começavam a circular pela cidade, eram carregadas de livros, dinheiro, documentos e todos utensílios e objetos citados antes, além de muita coisa não descrita.A circulação das pessoas e os carregamentos eram realizados debaixo de muita chuva, vento e com muita lama.

Assim, a corte embarcou no dia 29 de novembro, porém, seria no dia 27, mas devido aos fortes ventos, foi adiada.A esquadra portuguesa era composta por 19 navios e encontrou-se com a frota britânica, que faria a escolta até o Brasil (13 embarcações).As condições da viagem eram muito precárias, abaixo descreveremos como foi.Próximos ao Equador, entraram em uma zona de calmaria e permaneceram quase 30 dias parados, atrasando a viagem, e deixando todos revoltados.

Os navios partiram todos juntos, mas pela manhã, já estavam espalhados por causa de uma tempestade.Os próximos dias também foram assim, com ventos e chuvas abundantes, tornando a vida nos navios incômoda, uma vez que a Corte queria chegar o quanto antes no Brasil.Além de tudo, havia uma superlotação que mal tinham espaço para se deitar no convés, e as senhoras só tinham as roupas do corpo.Colchonetes eram um privilégio dos nobres, e para os demais, não haviam cabines, camas e muito menos privacidade e tinham apenas o espaço para dormir e estar,era muito apertado.

Água escassa e de má qualidade, a comida era carne salgada e biscoitos que já estavam contaminados por vermes.Animais vivos também faziam parte da embarcação para garantir leite, ovos e carne fresca, enfim, condições de higiene péssimas.Surtos de piolhos, ratos abundantes, aumentavam o risco de epidemias.Distúrbios intestinais causados pela falta de alimentação necessária.Insolação e desidratação eram constantes em dias de muito sol, além de enjôo, medo e mau-humor.

Curiosidade:
Na viagem, não havia banhos, porém o rei e Dona Maria tomavam banho de mar um pouco mais quente como forma de aliviar problemas de saúde.Então o uso do mar no Brasil surgiu como tratamento médico, e a idéia de ir ao mar como lazer surgiu com a elite burguesa na segunda metade do século XIX.Até o século XVIII o mar era local de morte, angústia e sofrimento, pois quando acontecesse uma morte no mar, os corpos eram jogados ali mesmo.

TEXTO ESCRITO PELA ALUNA JÉSSICA NUNES

Fontes utilizadas,capturadas em 24.08.2008

Super Interessante
Revista Veja-Edição especial
Wikipédia-Viagem da Família Real
Laurentino Gomes-Clique,é uma animação da viagem.
Globo-Condições da viagem
Colégio Universitas-Condições da Viagem
Portal Ciência e Vida


SE ELES NÃO TIVESSEM VINDO

Dom João estaria “con la cabeza perdida casi del todo”?

Desde o início da Revolução Francesa, em 1789, e, sobretudo, desde a execução de Luís XVI em 1793, o ambiente nas cortes européias era de muita aflição. Em Portugal e na Espanha, era também de temor, devido à ligação familiar de seus soberanos com os Bourbon da França. Este enlace vinha desde Felipe V (1683-1746), neto de Luís XIV, que dera início ao reinado dos Bourbon na Espanha. Em Portugal, a presença dos Bourbon era representada por Carlota Joaquina, mulher do príncipe regente. Guilhotinado Luís XVI, Carlos IV, rei da Espanha, e seu genro, o príncipe regente português D. João VI declararam guerra à França. No entanto, a potência espanhola não era mais a mesma como nos tempos de Felipe II. Apenas dois anos depois, celebraria com a França Revolucionária os tratados de paz de Basiléia, que obrigaram Portugal a recuar também.

Em 1789, Napoleão Bonaparte obtém vitórias na Itália e no Egito e é eleito primeiro cônsul. A Europa entra em pânico. Uma após outra, Áustria, Prússia e Rússia, as principais potências, foram derrotadas e forçadas a assinar tratados muitas das vezes humilhantes. Somente a Grã-Bretanha se mantinha de pé, protegida pela geografia e pela força de sua Marinha de Guerra. Em 1801, o único país continental que ainda não tivera rompido com a Coroa britânica, pressionado por Napoleão, era a velha metrópole, Portugal. A corte portuguesa estava agora ameaçada em terra por Napoleão e no mar, pela Grã-Bretanha.


O príncipe regente, Dom João, angustiava-se, uma vez que não fora educado para governar e não gostava de governar. Tornara-se herdeiro forçado do trono após a morte do irmão mais velho, D. José, em 1788. Naturalmente pacífico e tímido, hesitava diante de decisões difíceis. E nada mais difícil do que aquilo que o desafiava. Sua própria corte dividia-se entre simpatizantes dos ingleses como D. Rodrigo de Sousa Coutinho, primeiro conde de Linhares, e dos franceses, como Aires José Maria de Saldanha Albuquerque Coutinho Matos e Noronha, segundo conde da Ega, e Antônio de Araújo e Azevedo, primeiro conde da Barca. D. João tentava não desagradar a nenhum dos dois lados. Mas um dia teria que tomar uma decisão.
Em 1801, a França convenceu a Espanha, sua aliada, a assinar um ultimato conjunto exigindo de Portugal o rompimento com a Grã-Bretanha.


No mesmo ano, Portugal foi forçado a assinar um tratado humilhante em Badajoz, obrigando-se a fechar os portos e o território à Grã-Bretanha. As As vitórias de Napoleão se tornavam freqüentes, agravando a situação do governo português. Araújo e Azevedo tornou-se ministro dos Negócios Estrangeiros em 1803, quando foi assinado o Tratado de Madri, que estabelecia a neutralidade entre França, Portugal e Espanha.
No ano seguinte, o general Andoche Junot foi nomeado ministro francês na corte portuguesa. Carlota Joaquina tentou dele se aproximar objetivando selar a paz entre os dois países. Dom João estava apavorado, entrando em profunda depressão em 1805, inclusive isolando-se entre os frades do convento de Mafra. A loucura da mãe, D. Maria I, fazia com que surgissem os piores receios sobre a natureza de sua doença. O isolamento do regente incentivou a Conspiração do Alfeite (1805-6). A 13 de agosto de 1806, a própria Carlota Joaquina escreveu à mãe, Maria Luísa, rainha de Espanha, dizendo que D. João estava “con la cabeza perdida quasi del todo” e pedindo uma intervenção em favor dela e de seus filhos.

No ano seguinte, Napoleão, após ter terrotado os russos, na batalha de Friedland, volta seus olhos novamente para Espanha e Portugal. Em agosto, intimou Portugal a cortar totalmente as relações com a Grã-Bretanha, aderir ao bloqueio continental e seqüestrar os bens dos súditos britânicos, ao mesmo tempo em que concentrava tropas na fronteira com a Espanha, sob o comando de Junot. A corte de Lisboa continuou o jogo duplo entre franceses e ingleses. Em setembro, aderiu ao bloqueio continental, que fechava todos os portos europeus ao comércio com a Inglaterra. No mês seguinte uma celebração secreta coloca em pauta a possível transferência da corte para o Brasil e a abertura dos portos coloniais.


França e Espanha assinaram o Tratado de Fontainebleau, decidindo pela partilha de Portugal. Em outubro, Napoleão mandou Junot entrar na Espanha com 28 mil homens, a caminho de Lisboa. Jogando uma última cartada, D. João decretou a prisão dos súditos britânicos e o seqüestro de seus bens. O ministro britânico Lord Strangford fechou a legação, deixou Lisboa e recolheu-se aos navios da esquadra britânica ancorada perto da foz do Tejo.
Então no dia 25 de novembro realiza-se uma tensa reunião do Conselho de Estado para decidir sobre o que fazer. Ficar ou não ficar era a questão. Ficar significava correr o risco de humilhação da família real, de retaliação dos britânicos, que em setembro já tinham bombardeado Copenhagen, e de perda do Brasil, que representava 80% do comércio externo de Portugal com suas colônias e 60% de todas as exportações portuguesas. Fugir, além de humilhante, significava trair os súditos, abandonar o reino aos inimigos, enfrentar a ira da população já agitada de Lisboa, incorrer ainda mais no ódio da esposa, além de ter que enfrentar os inúmeros perigos de uma viagem marítima de quarenta e cinco dias com toda a família, milhares de cortesãos e grande quantidade de valores.


Muito bem, vamos parar agora para uma ligeira mudança de planos. Sim, nesse momento Dom João tem duas opções e só pode escolher uma: partir ou ficar. A história de como seria se a Família Real viesse para o Brasil, todos nós conhecemos, afinal, ela é influência direta da nossa atual realidade política, social e cultural. E se eles não tivessem vindo? Se a Família Real não tivesse vindo para o Brasil, muito provavelmente a mesma teria sido humilhada e o frágil Dom João teria enlouquecido com a vitória napoleônica sobre Portugal. Quanto ao Brasil, sim, conflitos em busca de poder, de lucros, ou ainda de abolição da escravatura, seriam – como foram – inevitáveis.
As influências em termos de hábitos, cultura, arquitetura, alimentação, vestimenta, trazidas pela Corte portuguesa, é claro, não teriam passe. E aí vem a pergunta: a abertura dos portos, a criação do Banco do Brasil, a criação da Academia de Belas Artes, por exemplo, jamais existiriam? Isso não se pode afirmar categoricamente, visto que outras instituições que suprissem as necessidades e acordassem com a realidade da população residente no Brasil, ou dos fortes politicamente, seriam criadas. As circunstâncias da não vinda da Família Real, poderiam ter conduzido o Brasil a situação muito diferente da atual; ou ainda mesmo gerar organização política-social bem próxima daquela em que vivemos. Existem sentimentos e interesses inerentes ao homem, que acabam por produzir bons e maus sujeitos, exemplares e execráveis personalidades numa comunidade. Burocracia, vertente para os arranjos políticos e tolerância com a corrupção que embarcaram na longa travessia de 1808, poderiam ter vindo de outra forma, poderiam ser mais amenas ou mais acentuadas; não se sabe. Mas se Dom João não estivesse “com la cabeza perdida”, a parte boa e bela da nossa herança cultural estaria, esta sim, infelizmente perdida.

TEXTO ESCRITO PELA ALUNA GEORGIA



Abaixo segue a reflexão do historiador José Murilo de Carvalho. Ele é professor titular da UFRJ e autor de Dom Pedro II: Ser ou não ser (São Paulo: Companhia das Letras, 2007).

“ Contrariando a opinião dos conselheiros, o príncipe regente D. João tomou a mais importante decisão de sua vida. Resolveu ficar.O episódio dramático ficou conhecido na história portuguesa como o Dia do Fico. As conseqüências da decisão são conhecidas. Os franceses levaram a família real para o exílio na França, permitindo que Carlota Joaquina voltasse para a casa dos pais na Espanha, e passaram a governar com o apoio de seus amigos na corte portuguesa: o conde da Ega, cuja mulher se tornou amante de Junot, Araújo e Azevedo, o marquês de Alorna e outros.Pelo lado da Grã-Bretanha, Canning, ministro dos Negócios Estrangeiros, levando em consideração a longa história de amizade com Portugal, decidiu não bombardear Lisboa. Contentou-se em ordenar a Lord Strangford que confiscasse a esquadra portuguesa para que não caísse nas mãos dos franceses. Mas fez também o que mais lhe interessava: pôs em prática o dispositivo da convenção secreta de setembro que lhe abria os portos das colônias portuguesas, sobretudo do Brasil.O infortunado D. João não resistiu ao impacto dos acontecimentos e às agruras do exílio. Sua depressão agravou-se e o levou à morte em 1812. Um ano depois, seguia-o sua não menos desventurada mãe, a rainha D. Maria I. Na corte espanhola, Carlota Joaquina retomou suas confabulações políticas, mas por pouco tempo. Em julho de 1808, Napoleão forçou Fernando VII, filho de Carlos IV, a devolver o governo ao pai. Deste, exigiu que renunciasse em favor de seu irmão, José Bonaparte. A família real espanhola reuniu-se à portuguesa no exílio. Mas com o início da queda de Napoleão após a batalha de Leipzig, em outubro de 1813, Fernando VII foi libertado e regressou à Espanha com Carlota Joaquina. Mais hábil que o irmão, a princesa negociou com as cortes a sucessão ao trono espanhol, usando como chamariz a proposta de reunir as duas coroas, uma vez que era a legítima regente do trono português. Com o apoio de seus partidários em Lisboa, conseguiu concretizar a fusão, criando a União Monárquica Ibérica, uma retomada da União Ibérica de 1580. Mais de século e meio mais tarde, a Constituição espanhola de 1978 conferiu a Portugal o estatuto de Comunidade Autônoma da União Monárquica Ibérica. Enquanto tudo isso se passava na Europa, as colônias espanhola e portuguesa na América entraram em fase de grande turbulência. Desaparecida a fonte de legitimidade monárquica que por três séculos sustentara a unidade dos dois sistemas, as forças centrífugas se manifestaram e teve início o processo de desagregação. Cada vice-reinado, cada capitania-geral, cada audiência e até mesmo cada municipalidade julgou-se no direito de decidir a quem obedecer. Para abreviar a história, na América espanhola os quatro vice-reinados e quatro capitanias-gerais se tinham transformado, em 1830, em 16 repúblicas independentes, organizando-se todas pelo modelo norte-americano. Posteriormente, acrescentaram mais dois países, Cuba e Panamá. Na América portuguesa, as coisas não se passaram de modo muito distinto. Das 18 capitanias-gerais existentes em 1808, as de maior peso econômico movimentaram-se no sentido de construir a seu redor novos centros de poder político. Como no lado espanhol, a luta foi longa e marcada por guerras civis, rebeliões, repressões. O processo teve início, como não podia deixar de ser, em Pernambuco. Já em 1801, os participantes da Conspiração dos Suassunas tinham buscado o auxílio de Napoleão para se libertarem de Portugal. Com a prisão da corte portuguesa, voltaram à ação. Havia, no entanto, uma divisão básica entre os rebeldes. De um lado, os ideológicos do Areópago de Itambé (primeira loja maçônica do Brasil, fundada em 1796) e do Seminário de Olinda, padres em sua maioria, mais liberais, contrários à escravidão. De outro, os Suassunas e demais senhores de engenho, que não admitiam a abolição. Depois de muitas batalhas, criou-se a República dos Estados Unidos do Equador, que incorporava as capitanias vizinhas: Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. A escravidão foi mantida, adotando-se um dispositivo constitucional que previa futuras medidas abolicionistas. A transição mais tranqüila, ou menos tumultuada, verificou-se nas capitanias vizinhas à sede do vice-reino. Os antigos inconfidentes mineiros, apoiados em seus parentes paulistas, retomaram a luta independentista e negociaram com os comerciantes do Rio de Janeiro um pacto federativo. O esforço foi facilitado porque as tropas portuguesas haviam sido deslocadas pela Grã-Bretanha para auxiliar na luta contra a França na Península Ibérica. As unidades federadas adotaram o nome de República dos Estados Unidos do Brasil, mantendo-se o Rio de Janeiro como capital. A nova Constituição também manteve a escravidão. A capitania do Espírito Santo também aderiu à federação. Em 1930, em decorrência de seu rápido desenvolvimento econômico, São Paulo separou-se dos Estados Unidos do Brasil, constituindo a República Bandeirante. Mais trabalhosa e violenta foi a batalha na capitania-geral da Bahia. As “francesias” (idéias sobre a Revolução Francesa) já lá haviam chegado em 1798, quando inspiraram o que se chamou de Conspiração dos Alfaiates. Vieram sob a forma de livrinhos subversivos distribuídos pelo comandante Larcher, da fragata La Preneuse. Além disso, houvera em 1806 uma revolta escrava em Salvador, e outra mais séria se dera em 1809 no Recôncavo. Os remanescentes dessas revoltas e conspirações voltaram a agir após a deposição do regente. Mas o poder econômico estava nas mãos dos senhores de engenho do Recôncavo e dos grandes traficantes de escravos de Salvador. Após prolongada guerra civil e racial, venceram os mais fortes. A parceria comercial com potentados africanos foi fortalecida com a preciosa ajuda do baiano Francisco Félix de Souza, traficante de escravos em Ajudá. No final, criou-se o Reino Unido da Bahia e da Guiné, a que aderiu a capitania de Sergipe del Rei. Sobrevindo a partilha da África pelas potências européias no final do século XIX, dissolveu-se o Reino Unido, e a Bahia tornou-se uma república. Na capitania-geral de Rio Grande de São Pedro do Sul, a comunhão de interesses com a Banda Oriental, sempre receosa do expansionismo de Buenos Aires, levou à solução natural da união, resultando do acordo a formação da República dos Pampas, com capital em Montevidéu. A ela aderiu a capitania de Santa Catarina. O tráfico de escravos foi abolido e se deu logo início ao processo de gradativa abolição da escravidão. Finalmente, a situação mais complexa verificou-se na área do antigo Estado do Maranhão e Grão-Pará. Não contando com centro econômico hegemônico, a região envolveu-se em longo período de turbulência, o que provocou a intervenção inglesa. Só em 1850 é que se consolidou o novo Estado que herdou o mesmo nome do antigo, sob uma forma republicana de governo, mantendo-se a escravidão.Ao longo de todo esse processo de formação dos novos estados, a Grã-Bretanha esteve sempre vigilante para garantir o livre acesso aos mercados. Exerceu também constante pressão no sentido de interromper o tráfico de escravos, negociando tratados com cada um dos cinco novos países, com exceção do Estado do Maranhão e Grão-Pará, onde proibiu o tráfico logo após a intervenção.Diante dessa evolução da colônia portuguesa da América, fica-se a pensar sobre como teria sido seu destino caso o príncipe D. João tivesse optado por abandonar Portugal para fugir das tropas de Junot.”

Preto no Branco-Herança Cultural
Revista de História

POSTAGEM REALIZADA PELA ALUNA GEORGIA

A SOCIEDADE BRASILEIRA DO SÉCULO XIX



Ao desembarcar no Rio de Janeiro, a corte encontrou uma sociedade abandonada, tudo era extremamente sujo e sofriam com a falta de água, de higiene e de cultura. O Rio de Janeiro oferecia poucas distrações: as famílias ricas iam a espetáculos e freqüentavam bailes familiares, já os homens, reuniões de jogo.As atividades eram feitas em dia claro com a luz solar, já que vida noturna praticamente não existia devido à falta de iluminação.Nas procissões e nas festas religiosas, toda população da cidade participava,pois se tornaram pontos de encontro entre parentes e conhecidos que lá se reuniam para contar os fatos do dia e as últimas notícias.

Os anos após a chegada da Família Real Portuguesa no Brasil foi de intensa mudança. A vida social se aperfeiçoou e se elevou o nível padrão de vida, tudo isso pelo fato da grande influência dos hábitos de conforto, cultura e diversão trazida pelos portugueses. Para atender às exigências da família real, foi necessário construir novas casas, pois a população havia crescido em decorrência do número de acompanhantes (cerca de 15 mil) e pelo enorme fluxo migratório de portugueses que saíam do reino na esperança de melhores condições; assim apareceram residências isoladas, distantes do centro e junto a jardins e gramados. Modificaram-se também as mercadorias, que foram ampliadas; o transporte e o aumento de oportunidades educacionais.

A vida após a chegada da Corte se tornou muito agitada,porém, não foram somente boas mudanças; a vida cotidiana das famílias de homens livres, pobres e remediados tornou-se mais difícil por causa do aumento do preço dos materiais de construção, da valorização dos aluguéis e do aumento do preço dos imóveis além de ter também surgido discriminação por condições de vida oferecidas nos diferentes bairros e o aumento das disparidades sociais. Todas essas modificações na sociedade brasileira são perceptíveis nas obras do pintor Jean-Baptiste Debret que trabalhou no Brasil entre 1816 e 1831, período em que produziu grande quantidade de obras.Para saber mais sobre Debret, acesse
este conteúdo em nosso Blog.


Texto escrito por Jéssica Nunes.

Fontes Utilizadas:

Revista super interessante: Edição 251- abril/2008
PILETTI, Claudino e Nelson.História e Vida. 24 ed.São Paulo: Editora Ática,2000.
GOMES,Paulo;DE MOURA,Nelson; GANZALEZ,Alaíde.História Geral da Civilização Brasileira.3 ed.Belo Horizonte:Lê Editora,1976.

Abaixo,alguns personagens que circulavam pela cidade do Rio de Janeiro,representando a sociedade após a chegada da Corte:









Revista super interessante edição 251 abril/2008 Nelson Piletti e Claudino Pilette história e vida volume 1 editora ática 24 edição ano 2000 aulo miranda gomes,nelson de moura e alaíde inah ganzalez história geral da civilização brasileira livraria lê editora terceira edição ano 1976

Texto escrito pela Aluna Jéssica Nunes